quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A história esquecida da cannabis

Até os anos 30, a maconha era conhecida nos EUA apenas pelo seu nome medicinal - cannabis. William Randolph Hearst, utilizando-se do ódio a imigrantes mexicanos e espanhóis, popularizou o nome marijuana, dando a impressão de que a erva era um mal vindo de outro país, podendo, então, demonisá-la.

A história esquecida da maconha é uma lição de como interesses industriais sempre sacrificaram a sustentabilidade para colocar a humanidade num curso de destruição ambiental. Ativistas pró legalização dizem que a proibição começou nos EUA devido à ameaça que a planta fazia frente aos interesses ligados ao lucro com indústrias do plástico, produtos têxteis e de papel do magnata da mídia William Randolph Hearst e da companhia DuPont, ligada à indúsria têxtil.

A maioria dos produtos como cordas, velas (de embarcações) foram feitas de fibra de maconha desde 8,000 antes de cristo até o começo do século 20. No livro "The Emperor Wears no Clothes" (o imperador não veste roupas), o ativista pró-legalização Jack Herer afirma que Napoleão invadiu a Rússia em 1812 para cessar a venda dos russos aos ingleses, pois a planta era muito valiosa e útil nas mais diversas formas na Inglaterra. A declaração de independência dos EUA foi escrita em papel feito com a fibra do cânhamo, subproduto da planta.

Contudo, Herer diz que o uso industrial da planta caiu no começo do século 20 devido à "falta de tecnologia necessária para a produção em massa. Mas em 1916 o departamento de agricultura dos EUA declara que uma tecnologia capaz de tornar a maconha como o principal produto agrícola dos EUA estava sendo desenvolvida. O departamento de agricultura dos EUA declarou, à época, que 1 acre de plantação de maconha era capaz de produzir a mesma quantidade de papel que 4,1 acres de árvores desmatadas para a produção do produto

Nos anos 30, quando as novas tecnologias para o plantio de maconha começaram a ser utilizadas a um custo financeiro razoável, a Hearst Paper Manufacturing Division, Kimberley Clarke e todas as companhias de madeira, papel e muitos grandes jornais perderiam bilhões de dólares, caso não agissem em favor da criminalização da planta.

Mas a volta da maconha industrial nos anos 30 não ameaçou apenas interesses de jornais e tais companhias. A forte fibra natural do cânhamo também é ideal para a produção Têxtil, de plástico e até mesmo explosivos. A DuPont acabara de patentear o nylon, assim como processos de produção de plástico a partir de petróleo e novas tecnologias altamente poluidoras como a produção do papel a partir da madeira.

Nos anos 30, os jornais de Hearst deliberadamente fabricaram uma nova ameaça aos EUA. O próprio declarou, mais tarde que: "Uma história de um acidente de carro no qual um baseado foi achado dominaria as manchetes por semanas, enquanto que acidentes causados por consumo de álcool só apareceriam nas páginas internas".

De acordo com os próprios registros internos da DuPont, Herer explica: "80% dos negócios da DuPont não seriam possíveis caso a proibição da maconha não acontecesse."

Em 1937, a maconha se tonaria ilegal, após o Marijuana Tax Act removeu-a do mercado. Mas antes que fosse proibida, a erva necessitou ser demonizada. É aí que entra o papel de William Randolph Hearst, megamilionário controlador da maioria dos meios de comunicação estadunidenses da época, na vida do qual foi baseado o filme de Orson Welles "Cidadão Kane". Hearst usou a sua cadeia de jornais para espalhar a propaganda antimaconha, apesar de diversos relatórios oficiais da Inglaterra e EUA concluírem que o uso da erva não trazia mais danos à saúde do que outras drogas legalizadas.

O pesquisador Herer diz que a ficção de crimes relacionados à maconha tomaram conta da mente dos americanos através do uso de manchetes histéricas comos "Causadora de Loucura" e "Maconha - assassina da juventude". Através dos anos 30, a rede de tablóides de Hearst publicava matérias sensacionalistas sobre "pretos chapados de maconha" que supostamente estupravam mulheres brancas, enquanto tocavam uma música de "vudú satânico", nos dias de hoje conhecida simplesmente como Jazz. A campanha de Hearst seria hoje motivo de riso não fosse a "cannabisfobia" que ajudou a criar. A corporação Hearst, dona da National Magazine Company, da Inglaterra, e publicadora de Cosmopolitan e Esquire, mostraram-se portadoras do mesmo tipo de sensacionalismo em relação à maconha.

Após proibida nos EUA, o país lançou uma campanha mundial que acabou por proibir o cultivo da planta na maioria dos países até os dias atuais.

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