segunda-feira, 26 de março de 2012

Polícia aborda mais negros e latinos em Nova York


Quando estava no segundo grau, a polícia parou Kevin S. Parker várias vezes a caminho de casa no Brooklyn e pediu para que ele esvaziasse os bolsos, apresentasse os documentos e dissesse para qual local estava indo, conta ele.

Karim Camara lembra-se de cumprimentar uma mulher que estava andando por uma rua no Brooklyn quando oficiais à paisana se aproximaram dele querendo saber quem ele era  e se tinha alguma arma ou drogas, conta.

E quando Adriano Espiallat tinha apenas 14 anos, ele conta que detetives jogaram-no contra um muro e bateram nele enquanto ele andava até uma mercearia em Manhattan para comprar um jornal da República Dominicana para seu pai.

Agora Parker e Espaillat são senadores, e Camara é deputado. Todos democratas, eles estão entre os integrantes mais ativos de um grupo de legisladores negros e latinos que, dizendo-se cansados dos efeitos desproporcionais que as batidas do Departamento de Polícia de Nova York têm sobre os homens pertencentes a minorias, estão empreendendo esforços para criar leis para restringir a ação.

“Há uma divisão étnica entre quem é parado e quem não é, e há uma divisão étnica entre quem está lutando contra a prática”, disse o senador Eric L. Adams, democrata e capitão de polícia aposentado do Brooklyn.

O esforço dos legisladores para desencadear um debate em Albany acontece ao mesmo tempo em que a atenção está cada vez mais focada na inter-relação entre a questão racial e a segurança pública. Ela foi enfatizada em Nova York pelo assassinato de Ramarley Graham, 18, por um policial do Bronx no mês passado, e em nível nacional pelo assassinato de Trayvon Martin, 17, um voluntário de vigilância de bairro na Flórida no mês passado. Os dois jovens estavam desarmados.

“Ambos ilustram os perigos de um estereótipo racial quando os indivíduos tem o poder de tomar decisões de vida e morte”, disse o deputado Hakeem Jeffries, democrata do Brooklyn.

“As pessoas estão chateadas por serem paradas pela polícia”, continuou ele, “mas qual é a resposta?” O Departamento de Polícia disse que conduziu um recorde de 684.330 batidas no ano passado, e que 87% dos que foram parados eram negros ou hispânicos. Cerca de 10% das batidas levaram a prisões e 1% terminaram em apreesão de arma, de acordo com o Centro de Direitos Constitucionais, que examinou dados da polícia.

“É uma sensação de ser humilhado”, disse ele. “Acho que é o que as pessoas que nunca passaram por isso não entendem.” Agora, Jeffries está apoiando um projeto de lei que transforma a posse de pequenas quantidades de maconha em público em infração, em vez de crime. O projeto de lei, diz ele, restringiria as dezenas de milhares de prisões todos os anos que acontecem quando os policiais param as pessoas e pedem para que elas esvaziem os bolsos, revelando pequenas quantidades de maconha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário