quinta-feira, 17 de maio de 2012

O uso da maconha medicinal na luta pela sobrevivência


TRÊS anos e meio atrás, no meu aniversário de 62, os médicos descobriram uma massa no pâncreas. Mais para frente foi diagnosticado como um câncer no pâncreas e disseram que eu estaria morto dentro de quatro a seis meses. Hoje eu estou nesse círculo raro de pessoas que sobreviveram a esse tempo com a doença. Contudo, mesmo com as dores, e o mal estar, eu nunca imaginei que a minha doença fosse me levar ao consumo de maconha como forma de tratamento, principalmente por eu ter dedicado a minha vida como um Juiz de Direito.

Minha sobrevivência exigiu um preço enorme, incluindo meses de quimioterapia , radioterapia e cirurgia inferno brutal. Por cerca de um ano, meu câncer desapareceu, contudo, após um tempo, tive que voltar a fazer os tratamentos quimioterápicos e radioterápicos. Durante este período, Náuseas e dor são companheiros constantes, além de uma verdadeira luta para comer o suficiente e não perder peso em excesso.

A diferença entre a utilização da Maconha para os outros medicamentos convencionais é que todos eles precisam de um novo medicamento para amenizar os efeitos colaterais fortíssimos advindos do seu uso. Maconha inalada é o único remédio que me dá algum alívio de náuseas, estimula o apetite, e torna mais fácil a adormecer. O substituto sintético via oral, o Marinol, prescritos pelo meu médico, era inútil.
Ao invés de assistir a agonia de meu sofrimento, os amigos escolheram, em algum risco pessoal, para fornecer a substância. Acho que algumas tragadas de maconha antes do jantar me dá munição na batalha para comer.

Portanto, quando se fala em maconha medicinal, não é uma questão de lei e da ordem, é uma  questão médica e de direitos humanos. Dezesseis estados dos EUA já permitem o uso legítimo de clínicas de maconha. Porque criminalizar uma técnica eficaz médica  que não afeta a boa administração da justiça?  Sinto-me obrigado a falar tanto como um juiz e  também um paciente com câncer, que sofre com uma doença fatal.

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