sábado, 30 de junho de 2012

E no final, o que aconteceu na Rio+20?


Sem muitos avanços ambientais ou grandes líderes, a maior estrela da Rio+20 não deixou de ser a natureza. Humana. Durante duas semanas, o Rio de Janeiro conviveu com uma fauna variada. Índios apontaram flechas para seguranças e motoristas, mulheres protestaram com os seios de fora (provando a importância da sustentabilidade) e não faltaram nem mesmo seres mitológicos. O Curupira em pessoa, o protetor das florestas com sua indefectível cabeleira vermelha, a bordo do ônibus Curupira Express, distribuía cartões de visita. Para os nativos, o evento foi um programa de índio. O trânsito, a exemplo dos acordos, não andou e o que se viu foi uma variedade de protestos, afinal que sexta economia do mundo é essa que deixa sua população a ver navios?

Os protestos se espalharam pela cidade. Marchas contra o Código Florestal. Marchas contra o buraco da camada de ozônio. Marchas pelo concurso público. Espera aí... Marchas pelo concurso público? Enfim, o negócio era marchar. Nem que fosse para trás. Na “Marcha a ré”, manifestantes caminharam de costas para reclamar do retrocesso na área ambiental. Não tivemos apenas marchas do contra. A “Cúpula Canábica” promoveu a marcha a favor da maconha. O pessoal da erva parou em frente a um fast-food na Cinelândia e começou a gritar: “Maconha é legal, McDonald’s faz mal ”.

Se no Riocentro faltou peito aos líderes para avançar nos acordos, coube às mulheres exibir os seus. Num protesto pela liberdade feminina, gritando “Queremos respeito, mulher não é só bunda e peito”, um grupo de mulheres mostrou... os seios. A estudante cearense Brígida de Souza, de 22 anos, foi eleita a musa do protesto. Ela disse que não programou tirar a blusa. “Estava fazendo muito calor e um homem que estava do nosso lado tirou a camiseta. Aí me perguntei: por que não posso, só porque sou mulher?”

Na maior manifestação, 20 mil pessoas tomaram a principal avenida do centro do Rio de Janeiro, a Rio Branco. Entre eles estavam aqueles que participavam de seu primeiro protesto, como o menino Otho Nascimento, de 2 anos, que ficou o tempo todo nos ombros do pai, Anderson Nascimento. Otho usava um macacão do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). O pai, um nariz de palhaço. “Será que quando ele fizer 22 anos ainda teremos muito o que protestar?”, disse o pai, funcionário do Ibama.

No final, o que se percebeu foi toda uma indignação da população brasileira, já a Rio+20, como estamos acostumados com tudo que acontece no Brasil, não conseguiu seu foco objetivo, foi mais um evento que serviu apenas para inglês ver e o caos continua a acontecer não só em terra tupiniquins, mais por todo mundo.

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