sexta-feira, 22 de junho de 2012

Venda de maconha no Uruguai causa polêmica em cidades da fronteira com o Brasil


A possível venda de maconha, sob controle do Estado, a usuários uruguaios previamente cadastrados, preocupa autoridades do lado brasileiro da fronteira entre os dois países. O projeto foi divulgado na quarta-feira pelo governo de José Mujica como parte de um pacote de 16 ações voltadas à segurança pública e depende de aprovação do parlamento uruguaio. A medida vem repercutindo também nas cidades fronteiriças como Chuí, Santana do Livramento e Quaraí, no Rio Grande do Sul, separadas das uruguaias Chuy, Rivera e Artigas por apenas uma rua.

Em Santana do Livramento, município mais populoso da região, com 82 mil habitantes, o assunto pautou as rodas de conversa durante a fria e cinzenta quinta-feira. Acostumados à chegada de ônibus de excursão lotados de turistas mobilizados pelas compras nos free shops de Rivera, os santanenses imaginam, em tom de piada, que no futuro receberão também o “cannabis tur”.

Apesar da brincadeira e de restrições como venda controlada, limitada a 40 cigarros por mês em pontos determinados e a usuários identificados, exclusivamente uruguaios, conforme previsto no projeto, a mudança na legislação uruguaia pode repercutir no lado brasileiro, onde vivem muitas pessoas com dupla cidadania. 

“Em tese, um comprador regularizado pode revender parte de seus cigarros a terceiros”, comenta o delegado da Polícia Federal Alessandro Maciel Lopes. “Mas tudo depende de como o Uruguai vai operacionalizar a produção, o comércio e o controle, algo que ainda não sabemos.”

O prefeito de Santana do Livramento, Wainer Viana Machado (PSB), mostra-se preocupado com o projeto. “Como os uruguaios mesmo dizem, hecha la ley, hecha la trampa”, cita, para apontar a revenda da droga adquirida legalmente e o eventual turismo voltado ao consumo como possibilidades decorrentes da legalização da venda do outro lado da fronteira.

No município do Chuí, o supervisor do gabinete de gestão integrada da prefeitura, João Luiz Cardoso de 
Oliveira demonstra inquietações semelhantes. “Não sei se é indicado fazer esse tipo de liberação”, admite. “Devemos, é claro, respeitar decisões de um país vizinho, mas temos algumas preocupações diante do projeto”.

Um comentário:

  1. Brasil oprime brasileiros e agora quer se espixar e oprimir uruguaios também rsrsrsrsrs. PALHAÇADA!

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