sábado, 8 de setembro de 2012

A maconha por si só não é porta de entrada para drogas pesadas


O número de jovens que admitem ser usuários de maconha está aumentando no Brasil. Essa é uma das constatações do 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e amplamente divulgado pelas mídias sociais há algumas semanas.

A pesquisa, realizada entre janeiro e março deste ano, realizou 4.067 entrevistas domiciliares com indivíduos a partir dos 14 anos de idade, e constatou que o Brasil tem 1,3 milhão de pessoas que se utilizam da maconha regularmente. Contudo, o número real de consumidores de cannabis no Brasil tende a ser muito maior do que os apresentados na pesquisa, uma vez que o país conta aproximadamente com 200 milhões de pessoas.

Segundo o professor Educação Física L.S. (ele pediu para ter a identidade preservada, temendo reações negativas no trabalho) experimentou maconha pela primeira vez, por curiosidade e influência dos amigos do rock, com os quais se relacionava na adolescência.

“Eu percebia que todo mundo falava dos efeitos da maconha, mas os meus amigos que usavam não demonstravam comportamento diferente. Até que perdi o medo e resolvi experimentar”, diz.

Ele gostou, e até admite que experimentou outras drogas nos últimos 15 anos. Mas, como se considera um naturalista, nunca se tornou adepto das drogas químicas. L.S acredita que hoje, a relação dos jovens com a maconha está aumentando “ou talvez esteja mais visível” e diz que se tivesse filhos adolescentes, não seria a maconha a sua principal preocupação.

“Eu estaria preocupado com drogas mais pesadas e com as companhias que podem levar para um caminho mais perigoso. Não acho que a maconha, por si só, seja a porta de entrada para esses caminhos sem volta. Nunca foi para mim”, diz ele. Na sua avaliação, o cigarro e o álcool são muito mais ofensivos à saúde e geram dependência muito maior.

Hoje, aos 30 anos, o professor usa a maconha com uma frequência bem mais assídua – cerca de três vezes aos dia – mas não se considera um dependente. Diz que ficaria tranquilo sem fumar, se não tivesse dinheiro para comprar, mas a estabilidade financeira conquistada lhe permite essa frequência e, ainda mais, ser seletivo quanto ao produto.

Ele gasta, em média, R$ 200 por mês para comprar maconha, mas destaca: “Essa não é a média de gasto do usuário comum. Como tenho condições, sou mais exigente, não compro qualquer bagulho. Em geral as pessoas gastam cerca de 25% desse valor”, diz ele.

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