sábado, 22 de setembro de 2012

Maconha ganha força como estratégia de campanha de alguns candidatos


Pesquisas indicam que oito milhões de brasileiros já fumaram maconha em algum momento de suas vidas. Outros 1,5 milhão usam a substância diariamente, de acordo com o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad). Lógico, que indubitavelmente este número é bem maior, já que em um país de 200 milhões de habitantes, com toda certeza mais de 1,5 milhões de pessoas já se utilizaram da maconha. O que acontece, é que uma pesquisa sobre drogas, nem todo mundo se sente à vontade para revelar sua experiência.

Nesta época de eleição, uma das reivindicações de alguns candidatos é exatamente a descriminalização da maconha. Atentos a isso e trazendo o verde da maconha em suas bandeiras, pelo menos cinco candidatos veem na questão um nicho eleitoral a ser explorado. "É onde eu posso vencer a eleição, com o apoio do pessoal que apoia a legalização da maconha. Tenho consciência de que a maconha é criminalizada por racismo, porque o hábito de fumar foi trazido pelos negros escravos. O capitalismo industrial é que retirou a maconha do mercado com a entrada da produção do algodão", diz  o advogado André Barros, colunista do Blog Maconha da Lata e candidato a vereador do Rio de Janeiro pelo PT, cuja história política está vinculada a diversos movimentos sociais.

Concorrente a vereador pelo PSDB, em Florianópolis, Lucas de Oliveira criou um personagem para ilustrar sua campanha a favor da legalização. Utilizando a figura do presidente THC, em referência ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se manifestou recentemente a favor da descriminalização da maconha, o candidato aposta que a apresentação do assunto de uma forma menos estigmatizada pode fazer com que ocorra uma mudança no modo como a sociedade encara o tema.

Cientes de que o assunto extrapola os limites das leis municipais, a intenção dos candidatos é colocar o assunto em pauta, inclusive nas esferas de poder, para que uma nova cultura a respeito do assunto possa ser fomentada.

"Tem avanços de um lado, mas a sociedade é muito conservadora, retrógrada, se constituiu em uma base religiosa muito forte, nutrindo preconceitos fortes. A eleição está servindo para trabalhar no plano cultural e pedagógico, porque tem certas pessoas que não conseguiam ouvir a palavra maconha e, depois de ter sido repetido mil vezes, já não é tão ofensivo, já se torna mais palatável", relata Lucas.

O tucano, presidente licenciado do Instituto da Cannabis e organizador da Marcha da Maconha na capital catarinense, acredita que uma mudança no sistema atual de repressão irá refletir em benefícios para a sociedade em situações cotidianas da vida de todos os cidadãos, como as questões ligadas à segurança e à saúde. "Estamos discutindo uma questão da maior importância, que tem a ver com liberdade e com uma política que pode atingir benefícios para a população em todas as áreas".

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