segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sem arrependimento, Casagrande fala sobre sua dependência com as drogas


Walter Casagrande Júnior foi um grande jogador de futebol, que arrancou muitos sorrisos durante a sua carreira. Categórico, Casão se destacava em campo e era um matador nato. Hoje, em tratamento devido a sua dependência do abuso de drogas, Casagrande fala com propriedade sobre o tema, além de defender uma revisão do controle antidoping, quando algum atleta é pego por uso de maconha, cocaína ou crack.

Casagrande, que já foi viciado em heroína e cocaína, não acredita na atual propaganda contra as drogas e prefere uma abordagem bem mais real do tema. "As pessoas usam drogas por conta própria, ninguém é influenciado ao vício. É uma escolha individual. Se tiver a conscientização sobre a dependência química, ela poderá avaliar melhor sua escolha. Mas eu evito essas campanhas com o tema 'Diga Não às Drogas'. Como vou falar só isso para o cara se eu mesmo usei por um longo tempo. Prefiro falar sobre as consequências e alertar para o tratamento".

Ao contrário de depoimentos de ex-dependentes, a palestra de Casagrande não se baseia no apelo emocional das tragédias que viveu sob a influência do vício. Evita tocar no tem de religião e conta a derrota interna que sofreu para as drogas enquanto as pessoas o viam na mídia erguendo taças nos campos de futebol. Adverte que há tratamento e se define como um "dependente químico em recuperação". O ex-jogador comparece semanalmente a sessões de terapia e consulta regularmente seu psiquiatra.

O comentarista acredita que sua estadia na clínica o ajudou a compreender a vida sob um prisma diferente, mas sem abrir mão do que gosta. O ex-jogador afirma que tem um permanente "vazio" dentro de si após largar os gramados, mas hoje aprendeu como conviver com o sentimento. Não somente Casagrande, mas muitos atletas sentem um profundo vazio quando se aposentam. A mudança drástica de vida, a glamorização que não mais acontece por parte da mídia, acabam por levar muitos à depressão.

A ideia, de acordo com Casagrande, é reavaliar os conceitos e manter a autoestima, sentimento ausente no dependente químico. "Continuo gostando de rock. Meus ídolos ainda são os mesmos, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison e The Doors. Mas agora avalio a competência musical deles e não desejo ter a vida deles, não quero imitá-los. Eles viveram uma vida ruim e eu tive a vida ruim deles por um bom tempo. Não quero mais isso para mim", diz ele.

Em entrevista coletiva em Maringá, Walter Casagrande criticou a suspensão de dois anos aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) ao goleiro Rodolfo do Atlético-PR. No inicio de agosto, Rodolfo admitiu ser dependente de cocaína e aceitou a internação voluntária em uma clínica de recuperação, após ser pego em exames antidoping.

Casagrande defende que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) precisa repensar a situação de jogadores que fazem uso de drogas. "O problema da droga hoje é social. Ninguém usa crack, maconha ou cocaína para aumentar o rendimento. Então o jogador ser suspenso dois anos não está ajudando em nada. 
Acho que devia uma ajuda psicológica, um tratamento e não ser suspenso da profissão", disse ele. Para o comentarista, o uso de drogas "não tem nada a ver com doping".

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