quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Califórnia luta para que maconha medicinal seja vendida apenas a pacientes


Um ano depois de autoridades policiais federais começarem a reprimir a indústria da maconha medicinal da Califórnia com uma série de prisões em todo o Estado, eles finalmente chegaram a Los Angeles no mês passado, dando prazo para 71 lojas fecharem as portas. Ao mesmo tempo, por causa de uma ação bem organizada de uma nova coalizão de defensores da maconha medicinal, a Câmara Municipal na semana passada revogou a proibição que havia aprovado poucos meses antes, dando esperança aos pacientes de maconha medicinal.

Apesar de anos de tentativas sem sucesso para regulamentar a maconha medicinal, a Califórnia novamente se encontra em um estado de caos por causa de uma indústria florescente e divisória.

Ninguém sabe quantos dispensários de maconha medicinal existem em Los Angeles. As estimativas variam entre 500 e mais de 1 mil. A única certeza é que eles são muito mais numerosos do que lojas da Starbucks.

"Esse é o atual circo de Los Angeles no País das Maravilhas", disse Michael Larsen, presidente do Bairro Eagle Rock, uma comunidade de classe média que tem 15 dispensários de maconha medicinal em um raio de três quilômetros, muitos deles perto de casas de família. "As pessoas aqui estão desesperadas e não há nada que possam fazer."

Apesar de farmácias do bairro estarem entre aquelas que receberam ordens para fechar até terça-feira, muitas ainda estão funcionando. Observando um jovem que entrava no dispensário Together for Change na manhã de quinta-feira, Larsen disse: "No meu palpite, aquele ali não é um paciente com câncer."

Na maior ação contra a maconha medicinal desde que a Califórnia legalizou o produto em 1996, as autoridades federais fecharam pelo menos 600 dispensários em todo o Estado desde outubro do ano passado. Os quatro promotores gerais da Califórnia disseram que as instalações violam não apenas a lei federal, que considera toda a posse e distribuição de maconha ilegal, mas a lei estadual, que obriga que os produtores sejam grupos sem fins lucrativos preocupados em cuidar de pacientes e que distribuam maconha exclusivamente para fins medicinais.

Ao anunciar as ações contra os 71 dispensários, Andre Birotte Jr., o promotor do Distrito Central da Califórnia, indicou que era apenas o começo de sua campanha em Los Angeles. Promotores locais entraram com ações de sequestro de bens contra três dispensários e enviaram cartas de advertência de acusações criminais para os operadores e proprietários de 68 outros, uma estratégia que fechou quase 97% dos dispensários alvo em outras partes do distrito, disse Thom Mrozek, porta-voz do promotor.

Leis estaduais vagas que regulam a maconha medicinal têm levado ao uso recreativo da droga de maneira generalizada, disseram os defensores da proibição e da repressão federal.

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