terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cresce o números de debates em prol da descriminalização da maconha no Brasil

descriminalização da maconha
A tendência mundial é a descriminalização da maconha. Criminalizada há anos, a planta Cannabis Sativa vem sendo desmistificada por seus ativistas, que apresentam um ponto de vista mais humano e menos sangrento para a solução do problema. Aqui no Brasil, por exemplo, o debate é cada vez mais intenso, como o que aconteceu na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O I Encontro Nordeste Antiproibicionista, que ocorreu de 24 a 28 de setembro, reuniu diversas marchas da maconha da região e levantou questões de cunho social, cultural, econômico e até acadêmico, sobretudo para discutir a política nacional de drogas. O grande convidado do evento, inclusive, foi Henrique Carneiro, professor doutor da Universidade de São Paulo (USP).

"De imediato lutamos pela descriminalização dos usuários de drogas e a regulamentação do cultivo caseiro de cannabis - pontos pautados no conjunto de reformulação do código penal, proposto por uma comissão de juristas e apresentada no Senado Federal - buscando a humanização na relação entre o usuário e o Estado", defende o manifesto antiproibicionista que resultou do encontro.

Para Cauê Almeida Galvão, estudante de história da UFRN e articulador da Marcha Potiguar da Maconha, organizadora do encontro que reuniu cerca de 200 pessoas de cinco coletivos, iniciativas como esta - abraçada, sobretudo, pelo viés acadêmico - são importantes como meio de difusão da informação sobre o ponto de vista do usuário ou defensor da causa.

"É preciso informar as pessoas sobre a questão das drogas. A maconha, que é na história das drogas ilícitas a mais consumida no mundo, nunca causou morte alguma. Já a história da proibição e da guerra travada para inibir o seu consumo acumulam saldo de milhões de mortes por ano, dentre usuários, criminalizados, policiais e inocentes, por conta da força repressora do estado que usa a atual política de combate as drogas como meio de controle social das minorias e das classes menos favorecidas", relata, reforçando que a política de drogas no Brasil nunca obteve avanços sendo repressora. "Chega de violência gratuita, mortes, opressão e autoritarismo", diz Cauê Almeida.

A opinião é compartilhada por Tamara Silva, 21 anos, membro do Coletivo Plantando Informação, de Fortaleza/CE. "A gente percebe que o discurso está cada vez mais se unificando, apesar de cada coletivo ter suas particularidades e anseios. Encontros como esse legitimam a nossa luta e colocam em prática todas as experiências vivenciadas por cada grupo ou indivíduo", opina. Renio Torres, 28, da Marcha da Maconha de João Pessoa/PB, complementa: "Unir o Nordeste para debater esse assunto, que ainda é um tabu social muito grande, contribui para minimizar o preconceito, que aqui, na nossa região, é bem mais evidente que em outras".

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