segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Legalização da maconha ganhou força durante as eleições municipais


O debate sobre a legalização da maconha chegou às campanhas municipais. Embora caiba ao Congresso legislar sobre drogas, candidatos a vereador de diferentes partidos e de correntes apostaram e abraçaram a causa.

O Rio de Janeiro teve dois candidatos conhecidos pela bandeira pró-legalização: o petista André Barros e Renato Cinco, do PSOL, ambos organizadores da Marcha de Maconha na capital. O primeiro é adepto dos trocadilhos. "Baseado na sua consciência, aperta um, três, quatro e vinte. Não esquece. Confirma. Aperta o verde de novo", diz Barros, na propaganda eleitoral. A reportagem localizou dez candidatos ligados à descriminalização. Cinco deles usam a terminação 420, depois do número do partido. "Quatro e vinte" ficou conhecido como "o horário para fumar maconha" por causa de um grupo de estudantes da Califórnia, que se reunia depois da escola, nos anos 1970, explica o ativista Marc Emery, em artigo publicado no Huffington Post. Quando os amigos seguiram a banda Grateful Dead, em turnê, levaram o ritual para outras partes do país.

Hoje o número serve para identificar candidatos que defendem a causa - além de Barros, o registro foi adotado por Mel Marquer (PSOL, Rio das Ostras/RJ), Núbio Revoredo (PV de Nova Iguaçu/RJ), Mariana Marques (PSDB, de Florianópolis/SC) e Indio (PSL, de Curitiba/PR). Renato Cinco reconhece que trazer o debate da legalização para a campanha para vereador é "uma maneira de divulgar a causa", mas ressalta que há uma política municipal de drogas que precisa ser discutida. "A gente tem se esforçado para municipalizar o debate. No Rio, temos denunciado a inexistência de atendimento de saúde mental, discutido a internação compulsória e propondo a criação de consultórios de rua", afirma Cinco.

Núbio Revoredo usa a terminação 420, mas é a única referência clara à maconha. Em seu site, não havia, até quinta-feira (4), citação a drogas, redução de danos e temas correlatos. "Não coloco a legalização como bandeira da campanha porque a gente sabe que não compete ao vereador legislar sobre questão federal", afirma.

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