segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Países do mundo inteiro começam a questionar a eficiência da "guerra às drogas"


Os blogs e sites ativistas que pregam a legalização da maconha falam exaustivamente sobre o fracasso da política estadunidense  que foi passada ao mundo, a chamada “guerra às drogas”. Não só os países europeus, mais os latino-americanos já assinalam para uma nova política de drogas, até mesmo dentro do próprio Estados Unidos, uma vez que a legislação do países permite que os estados tenham autonomia para decidir questões como a legalização da maconha, aborto, casamento gay entre outros temas polêmicos.
Mesmo que muitos não consigam perceber, a legalização da maconha nos Estados do Colorado e de Washington podem servir como uma abertura de novos horizontes sobre o tema, uma vez que está vitória simbólica dos ativistas e apoiadores da maconha força um debate ainda maior sobre o equívoco que é a manutenção da proibição da maconha e do não reconhecimento do seu poderio medicinal, industrial e econômico.

Para alguns especialistas no assunto, este novo paradigma e a contradição entre opiniões podem abrir as portas para um novo debate sobre o assunto. "Politicamente e simbolicamente, o que ocorreu é algo muito forte. Meu palpite é que isso acelerará os esforços de alguns países para ter um regime legal de maconha", disse Alejandro Hope, ex-funcionário do serviço de inteligência do México, que estuda o impacto econômico do contrabando de maconha no país.

De fato o impacto citado por Hope pode ser visto em países como o Uruguai, que em pouco tempo se tornou  o país mais vanguardista da América do Sul, após o seu presidente, José Mujica, apresentar um plano de regulamentação da maconha, como uma medida governamental para diminuir os lucros dos carteis das drogas e os usuários de drogas pesadas.

Hope ainda apontou mais países latino-americanos, que podem seguir o mesmo caminho: “No Chile, também há um projeto no Congresso. A Argentina também pode seguir o mesmo caminho. Isso irá do Sul para o Norte", disse Hope, que acredita, contudo, que a mudança ainda levará anos, não meses.

Alguns especialistas concordam que a tendência é mesmo a legalização da maconha, mas alertam que este tipo de política vem encontrando resistência principalmente por ainda se tratar de uma violação da convenção antidrogas da ONU.

"É uma violação direta da Convenção de 1961 da ONU sobre estupefacientes", disse Martin Jelsma, pesquisador holandês do Transnational Institute, centro que defende políticas menos punitivas contra as drogas.

Jelsma diz que os países teriam de encontrar uma maneira de conciliar suas leis com a convenção, que tem cerca de 190 signatários. Alguns podem optar por seguir o caminho da Bolívia, que disse, no ano passado, que denunciaria o tratado em protesto contra o fato de a ONU classificar a folha de coca como substância ilegal.

De fato, o que se precisa e todos começam a notar é que a repressão é equivocada e não consegue conter o avanço e os altos lucros dos carteis de drogas, muito menos combater o que ela principalmente diz combater: o aumento da oferta e da demanda de drogas.

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