segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Presidente da Colômbia pede mais comprometimento de outros países no combate às drogas


A legalização da maconha é um tema recorrente no mundo e vem ganhando grandes repercussões principalmente na América Latina, já que muitos países do continente já enxergam como prioridade a mudança nas leis antidrogas destes países.Na semana passada, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro durante a abertura da IV Conferência Latinoamericana Sobre Políticas de Drogas, sediada naquele país, pediu mais comprometimento dos governantes quando o assunto é o combate ao tráfico de entorpecentes.

"Governante sério tem que enfrentar o problema, tem que enfrentar as estatísticas, tem que mudar leis, tem que enxergar os consumidores como dependentes químicos e não tratá-los como caso de polícia, em que só o cacete e calabouço são os destinos. Ou encara (o desafio) ou deixa o cargo", afirmou Gustavo Petro.

Ele destacou a experiência que vem sendo colocada em prática em Bogotá, na tentativa de reduzir danos causados a viciados. Em julho, o país aprovou lei que trata a dependência de drogas, que deve ser considerado um assunto de saúde pública e o usuário, como pacientes e não como delinquentes, seguindo assim uma tendência mundial na abordagem aos viciados de drogas.

De acordo com Gustavo, a prefeitura investiu em quatro centros de atendimento volantes, que já foram procurados por menos 6.7 mil viciados. "Eles se apresentaram expontâneamente, dizendo aos médicos e enfermeiras: 'Quero me libertar, me salvar'. Isso irritou os traficantes, que ameaçaram até queimar os veículos com quem tivesse em seu interior, por isso eles sempre mudam de lugar. É um passo pequeno que demos. Nosso objetivo, junto com outras iniciativas que devemos olhar com atenção, com os centros controlados de drogas, já existentes no Canadá, Holanda e Suiça, é fazer com que os depedentes não sejam mais reféns dos mafiosos do tráfico", ressaltou.

Em Bogotá se concentram, entre outros, dependentes do 'bazuko', derivado da pasta base similar ao crack, conhecido popularmente como "olla" (panela em espanhol). Na Colômbia, maior produtora mundial de cocaína (cerca de 345 toneladas teriam sido produzidas em 2011, segundo a ONU), é permitida a posse de pequenas quantidades para consumo próprio de cocaína (um grama) e maconha (20 gramas). Na capital colombiana, conforme estudo da prefeitura, existem 125 mil consumidores de drogas entre 7,3 milhões de moradores de Bogotá. Entre eles, 70 mil são considerados "consumidores abusivos". Ainda conforme a prefeitura, dos mais de 1,6 mil assassinatos registrados em Bogotá, no ano passado, 15% (252) estavam relacionados as drogas.

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