quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Uruguaios se mostram desconfiados com a proposta de estatização da maconha feita pelo governo


Falar do tema maconha por si só é polêmico, contudo, o assunto vem ganhando as mídias e a sociedade, que se divergem em várias opiniões e torna o tema ainda mais complexo. No intuito de achar uma diretriz regulamentada para usuários e assim diminuir as consequências nefastas da guerra às drogas – que enriquece os narcotraficantes- muitos países já adotam outras políticas, como é o caso do Uruguai, país vizinho do Brasil, que vem sendo considerado como o mais vanguardista da América Latina, depois que anunciou um projeto de estatização da maconha e também da regulamentação do aborto.

No nosso país vizinho por sinal, segue com um debate acalorado e acompanho de perto pelos cidadãos uruguaios, que ainda vem com desconfiança a proposta apresentada pelo governo do atual presidente Pépe Mujica. Exemplo da insegurança dos uruguaios, é demonstrada em uma pesquisa divulgada nesta terça-feira,  que apontou  64% dos entrevistados são contra legalizar a venda de maconha e fazer do Estado seu único gerente, mostrando uma tendência que a população não é propriamente contra a maconha, mas o que gera uma grande incerteza é o modelo estatizado de controle e distribuição da maconha.

O parlamento uruguaio debate atualmente uma proposta do governo para legalizar a compra e a venda de maconha e fazer do Estado seu único gerente, uma iniciativa com a qual se pretende combater o narcotráfico ao tirar grande parte de seu mercado, evitando assim que os usuários de maconha estejam envolvidos no ciclo da criminalidade. Uma das grandes vantagens ao se regulamentar este mercado, além de uma injeção econômica é a mudança de perspectiva que visa a saúde, tornando o abuso da substância não um problema de esfera criminal, mas sim de saúde pública, se utilizando do conceito de redução de danos para alcançar êxito nesta nova política proposta.

Ainda de acordo com os dados levantados, De acordo com a pesquisa, mais de seis em cada dez uruguaios (64%) se opõe à legalização da maconha e apenas 26% apoia o projeto do governo. Os níveis de rejeição chegam a 83% para o caso dos simpatizantes do Partido Nacional ou "Blanco", o principal da oposição, e a 82% no caso dos simpatizantes do Partido Colorado, tradicionalmente governante e atualmente o segundo da oposição. De acordo com o critério de idade, são contra: 53% dos jovens entre 16 e 29 anos; 61% dos adultos entre 30 e 44 anos; 67% dos adultos entre 45 e 59 anos e 70% dos idosos com mais de 60 anos.

O projeto de lei em estudo pelo Parlamento uruguaio autoriza o Estado a assumir "o controle e a regulação de atividades de importação, exportação, plantação, cultivo, colheita, produção, aquisição, armazenamento, comercialização e distribuição de cannabis e seus derivados". O Instituto Nacional da Cannabis (Inca), instaurado pela lei, será, entre outras funções, o encarregado de autorizar os cultivos e os locais de venda.

Além disso, será habilitado o "autocultivo" de até seis pés de maconha, com uma colheita máxima de 480 gramas por ano, para uso doméstico "destinado ao consumo pessoal ou partilhado dentro de casa". Também se permitirá a criação de clubes com até 15 membros que poderão cultivar 90 pés de maconha.

O presidente defendeu sua ideia com o argumento de que "pela via da repressão" a guerra contra o narcotráfico "está perdendo por toda parte". O ex-presidente Tabaré Vázquez (2005-2010), também da FA, antecessor de Mujica no cargo e que os analistas definem como principal candidato à Presidência em 2014, manifestou suas dúvidas sobre o plano do atual governo. O consumo de maconha é "tão ou mais" prejudicial que o de tabaco e os países que a legalizaram estão repensando a posição, disse o ex-mandatário, que é oncologista. "Não se deve consumir maconha, simples e ingenuamente, não se deve consumi-la" asseverou Vázquez recentemente.

De acordo com números da Junta Nacional de Drogas, 20% dos uruguaios de idades entre 15 e 65 anos dizem ter consumido maconha alguma vez na vida e 8,3% dizem ter consumido no último ano.

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