terça-feira, 22 de janeiro de 2013

As drogas devem ser legalizadas


A partir da década de 1980, apoiada por artistas e políticos liberais, a legalização da maconha se tornou uma bandeira levantada em muitas partes do planeta. Aqui no Brasil, além do emblemático Fernando Gabeira, que tentou implementar o cultivo do cânhamo para fins industriais, recentemente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se mostrou a favor da descriminalização da posse de pequenas quantidades para uso pessoal. Segundo o que ele mesmo afirma, a repressão apenas aumenta a violência e o consumo, por isso, a liberação deveria ocorrer, mas a par da criação de mecanismos que desestimulassem o uso das drogas. Vale a pena lembrar que até os dias de hoje, a política de repressão às drogas foi falha, já que nunca conseguiu controlar a oferta e a demanda das drogas.

Atualmente, vários coletivos, como a Marcha da Maconha vem mostrando para sociedade o quão é equivocado a proibição da Cannabis Sativa, já que o poderio desta planta é enorme e de maneira nenhuma deveria estar proibida. Atualmente, contabiliza-se que 210 milhões de usuários de drogas ilícitas no mundo. 

Desse total, 80% usam maconha que, se regularizada, reduziria esse número para somente 45 milhões de seres que usufruem drogas pesadas - como heroína, cocaína e crack. Apesar de expressivo, esse montante também poderia ser amortizado para 10 milhões que, conforme especialistas, são considerados usuários problemáticos.

Porém o problema ainda é mais drástico, já que a descriminalização apenas não resolve, já que ela tem que vir com um conjunto de medidas que mude a perspectiva do olhar sobre o usuário para que ai sim funcione o conceito de redução de danos, para que realmente possamos atacar o problema de frente e não só medidas paliativas que não resultam em nada como as que vemos sendo feitas pela iniciativa do governo. É um completo desastre a forma que tratamos a droga e os usuários atualmente no país.

O Brasil passou a ser duramente atingido pela guerra contra as drogas nos anos de 1980, quando a repressão americana à produção de cocaína colombiana fez com que as rotas de tráfico fossem desviadas para dentro de nosso território. Quando o Brasil se tornou país de trânsito de cocaína, imediatamente o índice de usuários aumentou no país e, consequentemente, o crime se estruturou, traficantes enriqueceram e nossas taxas de homicídio, que estavam em cerca de 10 assassinatos a cada 100 mil habitantes, mais do que dobraram (hoje, nossa taxa é de 26 a cada 100 mil). Com o aumento do poder e da riqueza do tráfico, surgiu uma grande fonte de corrupção no país, com muito dinheiro para subornar a polícia, a justiça e a política.

Diante de um contexto nefasto, chegou a hora de legalizar. A legalização não atinge apenas os usuários, mas toda a sociedade, que está no meio de uma guerra absurda, que atinge pessoas que em muitas das ocasiões. 

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