segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

As drogas psicoativas sempre foram usadas por diferentes sociedades



O consumo de substâncias não produzidas pelo organismo humano, capazes de atuar sobre um ou mais de seus sistemas e de produzir alterações em seu funcionamento, algumas delas classificadas atualmente como drogas, acompanha a humanidade desde seus primórdios, principalmente quando falamos da maconha.

A sedentarização dos grupos humanos pré-históricos, ocorrida no período Mesolítico, permitiu a obtenção de conhecimentos acerca do ciclo de vida de certos cereais, o desenvolvimento da agricultura e a domesticação de animais, acarretando significativas transformações principalmente nos modelos de agrupamento humano, constituindo o que se resolveu chamar de Revolução Neolítica.

À medida que se intensificava a ação do homem sobre a natureza foram surgindo grupos familiares cada vez maiores, tornaram-se mais complexas as relações no seio de tais organizações e fixaram-se as bases para o surgimento de grandes civilizações.

Nessas sociedades o uso de certas substâncias relacionava-se a ritos de passagem e de iniciação à maturidade, e a rituais que buscavam satisfazer os mais variados deuses.Esta perspectiva do uso da maconha por exemplo, é vista sem grande dificuldade na Índia, onde se fuma haxixe em uma referência à deusa Sheeva.

As culturas de caçadores-coletores – sem dúvida as mais antigas do planeta – têm em comum uma pluralidade aberta ou mesmo interminável de deuses. Atualmente sabemos que numa proporção muito elevada dessas sociedades os sujeitos aprendem e reafirmam a sua identidade cultural passando por experiências com alguma droga psicoativa. (...) Antes de o sobrenatural se concentrar em dogmas escritos, e de castas sacerdotais interpretarem a vontade de qualquer deus único e omnipotente, o fulcro de inúmeros cultos era o que se percebia em estados de consciência alterada, e foi-o precisamente a título de conhecimento revelado. As primeiras hóstias ou formas sagradas eram substâncias psicoativas, como o peyotl, o vinho ou certos cogumelos.

Por isso, é preciso entender, que desde os primórdios a humanidade vive em busca do prazer, e que as drogas psicoativas sempre foram usadas pelas diferentes sociedades. É preciso enxergar, que se uma pessoa quiser consumir alguma destas substâncias, ela vai consumir, e o papel do Estado não é proibir, mas sim adotar políticas de redução de danos, para que se diminua drasticamente os efeitos colaterais do comércio ilícito das drogas e também para o usuário em si.

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