sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Pensando em virar parlamentar, José de Abreu diz que defenderá legalização da maconha


Descansando em Cuba no período de carnaval enquanto não retorna aos palcos com a peça "Bonifácio Bilhões", que discute a ética, o ator José de Abreu, de 68 anos (32 deles na TV Globo), está prestes a seguir um novo caminho na carreira: a política. Próximo de se filiar ao PT, Abreu tem o desejo de ser candidato a deputado federal pelo Rio.

Ele também vai trabalhar na campanha do senador petista Lindbergh Farias ao governo do estado, caso ela se confirme. A partir de 1º de março, Abreu o acompanhará nas visitas feitas aos municípios na chamada 

"Caravana da Cidadania". O projeto é inspirado nas viagens de Lula pelo Brasil entre 1993 e 1994. A primeira parada será Japeri, na Baixada Fluminense.

Em entrevista ao GLOBO, José de Abreu revela que a ideia de ingressar no PT partiu do próprio Lindbergh. Amigo de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, critica o julgamento do mensalão. No Congresso, o ator diz que vai lutar por bandeiras polêmicas, como a legalização da maconha e do aborto, e a desigualdade social.

Confira abaixo a entrevista do ator para o jornal O Globo

O GLOBO: Você vai largar a carreira de ator para ser candidato a deputado federal?

JOSÉ DE ABREU: Não há contradição entre as duas carreiras. Tenho uma reunião com a direção da TV Globo no dia 18 (de fevereiro) para a gente ver o que pode fazer. Não é uma questão de abandonar a carreira (de ator). Jamais vou abandonar. Meu contrato vai até o fim de 2014.

O GLOBO: Mas, para você ser candidato, terá de se licenciar...

JOSÉ DE ABREU: Seria uma suspensão do contrato. Mas não é só isso. Minha família é contra.

O GLOBO: Por que a sua família é contra?

JOSÉ DE ABREU: Eles acham que eu vou me expor demais, que eu terei de mudar para Brasília ou ficar pelo menos quatro dias por semana lá.

O GLOBO: E por que a decisão de ser candidato?

JOSÉ DE ABREU: Não foi uma decisão minha. Foi um pedido do partido (PT). O primeiro contato foi do Lindbergh. Eu disse: "Deixa eu falar com o (ex-presidente) Lula". Fui para São Paulo e falei com o Lula.

O GLOBO: Qual será o seu papel na campanha do Lindbergh?

JOSÉ DE ABREU: Vou ser o puxador de votos (do PT para deputado federal). Vou acompanhá-lo nas caravanas, independentemente se eu for ou não candidato.

O GLOBO: Qual será a sua bandeira no Congresso?

JOSÉ DE ABREU: Basicamente, a mesma do Lula. Acabar com a miséria, a desigualdade social. Ainda existe, infelizmente, muita miséria no Estado do Rio. Na Baixada Fluminense, ainda existe muita desigualdade social. Muita coisa tem que ser feita. Houve um investimento enorme no Rio, mas o interior não foi privilegiado. Terei também bandeiras mais específicas. A liberação da maconha. Tantos presos lotando os presídios só porque fumou ou vendeu um baseado. Casamento com pessoas do mesmo sexo: sou totalmente a favor. Tem também a liberação do aborto. Vou lutar para que a Lei Maria da Penha seja cada vez mais aplicada. Tem a questão da pedofilia. Essas coisas que nos agride diariamente quando a gente lê jornal.

O GLOBO: O que você achou da postura do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão?

JOSÉ DE ABREU: Há muita coisa para se discutir. O mensalão tucano (processo ocorrido em 1998, na campanha à reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas, que envolve personagens e características semelhantes ao caso julgado no STF com réus petistas) é muito anterior e não foi julgado. Por que o José Dirceu é julgado em última instância sem ter uma instância intermediária? Ele não tem foro especial.

O GLOBO: Mas você acredita que houve o mensalão?

JOSÉ DE ABREU: Mensalão é uma palavra idiota. Mensalão é o quê? Sabatina mensal? Mensalão significa que (os deputados) ganhavam dinheiro para votar (a favor de projetos do ex-presidente Lula no Congresso)? Quais foram essas leis votadas? Quantas vezes por mês foram dado dinheiro aos deputados? Qual é a relação do dinheiro teoricamente dado e a lei e votada a favor do PT? Nenhuma. E se tivesse teria de anular a lei. Se você ouvir a ministra Carmem Lúcia: "não tenho provas contra José Dirceu, mas a literatura jurídica me permite condená-lo". O que é isso? Num juízo penal? É um absurdo! Na entrevista para o jornal "Folha de S. Paulo", o procurador procurador-geral (da República) Roberto Gurgel assumiu que não havia provas.

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