sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Prefeito de Nova York suaviza lei contra usuários de maconha


No último ano de governo do prefeito de Nova York Michael Bloomberg afirmou que usuários de maconha que forem pegos com pequenas quantidades de cannabis sativa não vão mais precisar passar uma noite na cadeia. O comunicado surgiu após meses de polêmica entre o prefeito e críticos da tática policial de revistar suspeitos em bairros pobres e não representa uma mudança ampla na legislação, que já descriminalizou o porte de pequenas quantidades no Estado desde 1977.

Assim, a medida pode ser interpretada mais como uma ação politicamente estratégica para suavizar a imagem de Bloomberg do que uma verdadeira mudança na celebrada política de tolerância zero ao crime, responsável por tornar Nova York novamente segura e até o centro do movimento de renascença dos centros urbanos dos EUA.

O prefeito escolheu para seu pronunciamento da última quinta-feira o Barclays Center, a nova arena de basquete e espetáculos encravada no centro do Brooklyn, por si só uma vitória política de Bloomberg em seus esforços para reurbanizar partes da cidade. O discurso também marcou o começo de seus derradeiros 11 meses comandando a cidade de Nova York, após três mandatos de quatro anos. O prefeito já conseguiu mudar a lei para ser eleito pela terceira vez, mas a quarta vez continua proibida.

No mesmo dia em que fez 71 anos, Bloomberg comemorou o declínio histórico no número homicídios da cidade (419 no ano passado, o menor da história) e também o recorde de turistas de 2012, de 52 milhões. 

Ele também defendeu vigorosamente a tática policial de revistar suspeitos aleatoriamente, conhecida como “stop and frisk”, alvo de vários processos na Justiça sob acusação de racismo e inconstitucionalidade. 

“Entendo que pessoas inocentes não querem ser revistadas, mas esses inocentes também não querem ser assassinados a tiros”, disse.

Em seu programa de rádio semanal na sexta-feira, Bloomberg defendeu também a mudança na abordagem para os usuários de maconha, com o argumento de que ela ajudará a descongestionar os tribunais da cidade, mas se declarou contra a legalização da droga, afirmando que a oferta atual é muito mais potente e os traficantes simplesmente passariam a vender outras drogas se ela fosse legalizada.

O clima nacional nos Estados Unidos indica uma certa liberalização na atitude sobre a droga, considerada ilegal na legislação federal. Os Estados de Colorado e Washington legalizaram nas eleições de novembro o uso recreativo da maconha (mas proibiram que seja fumada em público).

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