terça-feira, 12 de março de 2013

A guerra às drogas é extremamente prejudicial à América Latina


A Guerra às drogas não conseguiu cumprir o principal papel que sustenta esta política: controlar a oferta e demanda de drogas ilícitas, tais como maconha, cocaína, heroína, crack , entre outras substâncias proibidas pela sociedade que demoniza as drogas como se fosse o principal fator da violência. Contudo, o que de fato gera a violência não é a droga em si, mas a sua proibição.

Os efeitos devastadores da guerra às drogas pode ser visto principalmente nos países da América Latina, que são grandes produtores de drogas e vivem um intenso comércio destas substâncias nas fronteiras americanas e de outros países que são grandes consumidores das chamadas drogas ilícitas.

Para se ter uma ideia, a guerra às drogas na Colômbia, deslocou milhões de pessoas ao redor do país. Expulsos de casa por narcotraficantes, por guerrilheiros ou pelo confronto com forças do governo, os chamados “desplazados” formam um contingente que fez do país vizinho o recordista em número de refugiados internos no mundo.

Até maio de 2011, o governo havia registrado mais de 3,7 milhões de pessoas em situação de deslocamento forçado, embora estudos independentes apontem a existência de 5,2 milhões de refugiados internos no país.

Milhares de famílias refugiadas vivem em bairros da periferia de Bogotá, boa parte delas em condições precárias e improvisadas.

É o caso da família do agricultor Willian Peña, 56 anos. Há seis anos, ele foi expulso de suas terras pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), no Departamento de Tolima, no centro-oeste do país.

Embora tenha nascido sob inspiração política, as Farc acabaram se tornando mais um ator no complexo jogo de forças do narcotráfico colombiano ao usar as drogas para financiar suas atividades.

Peña conta que vivia com a esposa e três filhos e tinha como fonte de renda a agricultura familiar. “A gente levava uma vida tranquila. Eu plantava e vendia verduras. Mas, em cinco minutos, as Farc chegaram e mandaram a gente sair e largar tudo, porque senão a gente ia morrer”, conta.

O governo colombiano pede que as pessoas que perdem as terras busquem primeiramente o Programa de Ação Social, onde serão registradas e levadas para albergues em cidades como Bogotá, Medellín, Cali ou Cartagena.

As famílias podem ficar em um albergue por até um mês, enquanto procuram um lugar para morar.

O programa também oferece uma ajuda mensal de dois salários mínimos colombianos à família (cerca de mil reais) por até dois anos.

O presidente da Fundação Humanitária Novo Amanhecer, Jesus Marío Corrales, grupo que ajuda mais de 27 mil deslocados na Colômbia, acredita que o problema não se resolverá somente com o fim do conflito armado.

“Mesmo que as guerrilhas parem de atuar, outros grupos criminosos como (os paramilitares) Bacrims e os Rastrojos estão se fortalecendo, dominando o narcotráfico e outras modalidades de crime organizado. A população, especialmente a rural, não tem pra onde correr”, adverte.

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